Entrevista com o artista plástico Elias Santos
Por Janaina Cruz

"A arte é o fim de si mesma.
Não tem compromisso com idealismo, religião, política e moralidade."

Nascido e criado em Aracaju, o artista plástico Elias Santos, 33 anos, começou a fazer seus primeiros desenhos nas calçadas do bairro onde morava quando criança. Na escola, as professoras observavam que os desenhos eram bem melhor que os estudos e, assim naturalmente, a arte foi entrando na vida de Elias. De forma humilde, diz que seus desenhos até os 13 anos de idade "não eram grandes trabalhos, eram cópias de Leonardo Da Vinci".

Por incentivo de João de Barros, na adolescência, Elias começou a frequentar Salões de Arte. Nessa época descobriu que seu trabalho era bem maior que meras cópias, observou outras obras e se reconheceu como artista competitivo.

Em 1986, realizou seu primeiro sonho que era entrar em uma Escola de Belas Artes sem precisar fazer vestibular, somente pelo talento. Ganhou uma bolsa para estudar na Universidade Federal da Bahia e lá fez curso de especialização, somente matérias isoladas, como modelo vivo (figura humana), história da arte, gravura escultura e restauração.

Passada uma fase ruim depois de voltar da Bahia, teve outra recompensa. Em 1989 uma comissão americana viu o trabalho de Elias exposto no Festival de Arte de São Cristóvão - FASC. Depois de um ano o governo americano ofereceu uma bolsa de estudo para o artista. Elias ficou dois meses no EUA e se especializou em desenho de figura humana, e também pintou, deu aula e expôs.

Atualmente, além de ser instrutor de História da Arte, Percepção Visual e Desenho de Retrato, no SENAC, está prestes a realizar outro sonho que é ter seu próprio atelier. Hoje, o artista considera-se amadurecido, pensando em seguir seu próprio caminho, independente do gosto popular, dinheiro ou sucesso. "Triste do artista que está pensando em coisas para agradar alguém. E depois, se ele não agradar? Ele deixou de fazer para ele mesmo", enfatiza.

Sua mais recente exposição, dia 12 de novembro na Galeria Álvaro Santos, pode ser definida como um contato íntimo com a arte contemporânea. Na entrevista, Elias fala mais sobre seus prazeres, inspiração e arte, é claro.

Aracaju.com - Existe algum trabalho que é o seu preferido, aquele que você diz realmente estar inspirado no momento?

Elias - Para Elias inspiração não existe, tudo é fruto de um trabalho duro. É como se cavasse um grande buraco para achar água, mas ninguém está inspirado para cavar um buraco. O trabalho amadurece dessa busca. Eu tenho centenas de trabalhos, de várias fases, tem coisas boas e ruins, coisas que já repintei ou até destrui.

Aracaju.com - Como se lê a obra de arte, existe uma regra?

Elias - A estética tem vários caminhos que te mostram como se lê uma obra de arte. Entrando pela esquerda ou direita do quadro, vendo a linha, o equilíbrio, ritmo, estilo. Por exemplo, no Claude Monet não se vê linhas e sim vibrações tonais, muita luz, a composição é despojada. Já para um leigo, que só admira a arte, é sensível, tem dois caminhos: gostar ou não. Sensibilizar-se sobre o quadro, o chamado efeito pictórico. O milagre do tato do artista diante do que ele construiu.

Aracaju.com - O que te dá mais prazer na vida? Desenhar, ensinar o que você sabe ou outra coisa?

Elias - Se você me tirar as tintas, os pincéis, o lápis e o papel eu vou ser uma pessoa sem utilidade, um homem comum, que passa aqui e perde a viagem. Se eu tiver com meus lápis e papéis, pode colocar o maior bacharel de qualquer área próximo a mim, que ele vai ser como eu, uma pessoa que tem conhecimento para passar e é isso que me move.


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