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Márcia pinta como quem desliza nos labirintos do sonho e da fantasia. Utilizando cores quentes e frias, compõe cenários de estranha beleza, onde os estados oníricos transportam o leitor a países imaginários, em que mitos e lendas coexistem no horizonte da irrealidade. A motivação sobre a qual repousa a maioria de suas criações provém de um olhar indagador aos dois extremos da vida: infância e velhice, reiventados com as tintas da imaginação. Nas criações surrealistas da maioria de suas telas, a figura de uma criança, na pureza dos olhos azuis é sempre colocada em plano superior, como se a inocência lhe desse poderes de alçar-se além da miséria humana, enquanto a velhice é retratada em plano inferior, voltada para o nevoento horizonte do abandono e da solidão. A vida e a morte, a esperança e o desencanto, a efemeridade da vida humana, a certeza do desgaste de todas as coisas pela força da passagem nas horas entrelaçam-se na obra dessa jovem artista para quem a pintura é fruto de perspectivas íntimas, de uma sensibilidade que vai além das aparências, para captar na fragilidade do cotidiano os traços de eternidade que dão sentido à existência. Márcia não se limita ao exercício técnico da estética surrealista: seus cálices pousados em nuvens, suas rosas murchas sobre o negror da estrada, seus bebês e suas árvores de sonho remetem-nos ao universo desintegrado dos dias de hoje, no qual a arte é a única forma de libertação pela capacidade de sobrepor-se ao desequilíbrio e assim gerar a beleza que não morre."
Texto de: Márcia Guimarães é natural de Aracaju/Se. Sua pintura existe desde a sua infância, mas somente em 1992 tornou-se conhecida com as suas significativas obras de arte. O primeiro reconhecimento do seu talento veio aos 16 anos, conquistando "Honra ao Mérito" num Concurso Público no estado de São Paulo. Em Sergipe foi vencedora no Concurso da ASAP - Associação Sergipana dos Artistas Plásticos. Ganhou também Prêmio Especial no IX Salão de Novos Artistas em Sergipe. Recebeu Medalha de Bronze, com o quadro Maternidade II, participando do II Salão Brasileiro Virtual das Artes Plásticas. Participou de várias Exposições Coletivas e Individual em Sergipe, Mato Grosso do Sul e em São Paulo. Há quatro anos vem se dedicando também ao desenho do modelo vivo.
Relação das peças em exposição
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